Nenhuma pretensão. Mentira. Toda pretensão. Sobre tudo. Mas por enquanto, nem escrevendo eu estou.
domingo, janeiro 15, 2006,7:42 AM
14 de Janeiro de 2006
Sei que há muito tempo não escrevo nada, nem tenho sentido vontade, prá ser sincera.
Também não tenho a pretensão de que alguém leia o que escrevo, compreenda, critique ou venha me conhecer melhor através disso.
Simplesmente às vezes sinto uma vontade, provavelmente abastecida por uma angústia, que parece, não sei, querer tornar leve a vida, compreensível, palpável. Sei lá.
Sinto que sou a mesma de anos atrás, passando pelos mesmos problemas. É angustiante fazer planos, continuar vivendo e ter no pensamento os mesmos problemas de sempre. A vida prática muda, claro..há lugares diferentes em que trabalho, há pessoas diferentes com as quais me relaciono. Coisas diferentes para ler, paisagens diferentes para ver. Mas o que ocupa a mente, que faz sentir tristeza, que muda meu espírito é sempre o mesmo. Dentro da minha cabeça, tenho as mesmas angústias de uma adolescente; que não viveu nada. Porque essa impressão de quem não viveu nada?
Ainda a impressão de que todas as chances estão passando; que não tenho sorte; que não sei escolher; que não consigo esquecer o orgulho no momento certo. Que tudo a que me dedico mais é o que há de mais supérfluo.
Esperar e planejar me deixa louca. Nada nunca funciona. Sinto ciúmes do que não tenho. E pareço mais adolescente ainda ao pensar realmente que nunca conheci alguém que me entendesse.
Porque ter que passar por momentos em que a vida parece tão idiota? Prá depois acabar me conformando e convencendo que, no final das contas, a vida é massa. Meus dias estão passando, e a vida é curta. Mesmo assim não canso de contar os dias para chegar o show do U2, esperando que eles passem rápido. Ou para chegar o fim de semana, o início das aulas, o dia da minha viagem. O dia em que vou trocar o carro, que vou encontrar a paz em algum lugar, em alguém. Parece que estou esperando que a minha vida passe, e só.
Ainda ontem era feliz, e o meu mundo era minha casa e minha família. E agora, meu mundo aumentou, me trouxe angústia, decepção, pressa. A ignorância é uma benção. Hoje tenho ambições que nunca alcanço.
 
Por Renata O. |


3 Comments:


  • At qua. jan. 25, 01:05:00 AM, Blogger rafael

    Acho que você falou tudo: deixar a ignorância é perceber que nossas ambições não passam de devaneios criados para mascarar a realidade

     
  • At qui. abr. 06, 05:57:00 AM, Anonymous Anônimo

    Espero que vc esteja melhor.

     
  • At seg. mai. 01, 08:45:00 AM, Blogger Vicente E. R. Marçal

    Acredito que a angustia gerada pelo esclarecimento se dá mais pelo fato de vermos quão futeis eramos e quão futeis as pessoas que nos cercam ainda são e, o que é pior, o quão irritante é essa futilidade.

    Pior, é que sabemos que existe uma solução para isso, o Esclarecimento. Contudo, já em 1700 e bolinha, o Kant alertava para o fato de que as pessoas têm medo, ou mesmo se acomodam à situação de mediocridade (ele chamou de menoridade, mas convenhamos, nada como mediocridade para descrever melhor essa situação), contudo, para as pessoas que atingem a Maioridade, ou Esclarecimento, conviver com as demais pessoas é extremamente complexo.

    Bem, nunca li nada do Sartre, mas do que ouvi dizer hehehe nossa essa é foda heheheh ele compara essa situação à Nausea (é, acredito ser no romance homônimo que ele faz isso)... e por isso o homem está condenado à sua própria liberdade.

    Digressões filosóficas à parte, notamos que o grande problema que nos aflige é o mesmo do filófo platônico que ao sair da caverda se dá conta do REAL e volta à caverna para tentar libertar os seus, contudo, a grande ironia da Alegoria da Caverna, os seus o rejeitam como louco... é, não é a toa que nós "filósofos" somos relegados ao plano dos loucos... dos lunáticos, daqueles que têm a cabeça nas nuvens e por isso caem em buracos enquanto andam... mas será isso mesmo?