At ter. ago. 22, 05:03:00 AM, rafael
Eu disse que crer é uma "faculdade da alma", quando na verdade você diz ser uma "disposição". Bom, isso dificulta ainda mais, pq se é disposição então temos o elemento da vontade, e assim vontade não pode ser uma oposição a crença.
Agora, se entedemos que disposição não tem nada a ver com vontade, então mais uma vez me coloco na posição de quem não acredita e pergunto: qual é a culpa daquele que não possui disposição para acreditar?!?!? Se a disposição já é inerente, perdemos tempo em convencer alguém a acreditar. E pior, perdemos tempo tentando nos convencer.
At ter. ago. 22, 10:07:00 PM, Renata O.
'Se todos são diferentes, são iguais em serem diferentes.'
Lembrei dessa frase na tua primeira constestação..acreditar que não há nada para acreditar. Se eu digo que não há nada para acreditar, assumo que acredito que não há nada para acreditar. Sim..como Descartes, acredito na minha existência porque duvido dela, e essa dúvida precisa de algo para acontecer - no caso, ao menos um pensamento. Mas assim como essa certeza esquisita do Descartes, essa crença é dita crença porque acredita em algo..mas há muito em que se acreditar. Pode-se acreditar em várias coisas, e o que é isso que não acredita?
Talvez eu seja imprecisa demais, mas a crença como disposição da alma não é para tudo, ou para nada. Mas a aceitação para algumas coisas, e repulsa para outras; afinal, vivemos em diferentes situações, somos um turbilhão de necessidades diferentes. Acredito no espírito dentro de mim, mesmo sem nunca ter tirado uma foto dele..e aqui entra a vontade.
Não sou adepta do Schopenhauer, me parece que a vontade é muito mais racional do que uma força extrema, que move o mundo. Ela surge quando há algo que desejamos, buscamos, sempre tendo como alvo algum bem. E qual é o bem em crer? É um risco sem fim, está estritamente ligado às expectativas de um relacionamento. Creio em Deus, que ele é bom e melhor do que todos nós. Mas e se não for? Caio do cavalo, me decepciono. Mas mesmo assim creio, assumo o risco. Agora, se fosse planejar, decidir por todos os sinais visíveis, não sei não..olha o mundo como é, olha o que o 'povo de Deus' faz por aí..se dependesse da minha vontade de crer, talvez não acreditasse.
Crer é uma disposição porque é uma abertura. Uma disponibilidade. Não é vontade, que busca o que é mais vantajoso..mas isso é uma discussão de emprego de termos. Pode ser chamada faculdade também, porque é uma propriedade. Agora me arrisco a dizer que naturalmente somos todos tendenciosos em acreditar..aqui estou dando a cara a tapa. O que nos guia na disposição em crer, ou na dificuldade - que mesmo sendo difícil pode ter vontade em crer, são as nossas vivências, e como as recordamos, intimamente ligado a como as encaramos. É tudo trauma, hehehehe...
E culpa? Não sei se quem não consegue acreditar tem alguma culpa. Aliás, nem falei em culpa..
E pq a vontade de crer então? Porque crer é ter esperança. Essa é a vantagem em crer, mas esperança não é racional. Não é hábito, nem eventos físicos..é quase um sonho.
E para quem não acredita, o que dizemos?!?!? Acreditar que não há nada para acreditar pode ser também uma faculdade da alma?!?!? Ou querer não acreditar na crença, não passa de uma crença travestida de descrença?!?!?
Bom, confesso que eu não creio e minha vontade de fazê-lo reduz-se a cada dia.