Tudo o que temos é a aparência.
Nada de fenomenologia não. Afinal este espaço é para pensamentos despretenciosos..
Os relacionamentos são inevitáveis. Tentei imaginar um mundo possível em que uma pessoa conseguisse de fato tirar férias de todas as outras; não ter contato com absolutamente ninguém. Impossível, quem tiver alguma idéia diga. Mas pensem comigo: já nascemos em função de algum relacionamento. Se de repente nos tornásse-mos o George, rei da floresta ou o Tarzan, depois do nascimento viveríamos como um selvagem, no meio da bicharada. Mas mesmo assim, nos relacionando com alguém - mesmo se for uma Chita.
De qualquer forma, num relacionamento não estamos muito longe de uma certa solidão. Tudo o que temos são as aparências, o comportamento, a fala. E depois de tudo isso, a interpretação que damos a isso - coisa que já não está mais no outro, mas no mais íntimo de nós mesmos. Ou seja: parece ser impossível não estar envolvido em alguma relação, mas lá no fundo..estamos sozinhos mesmo. Sozinhos nas nossas paranóias, nas nossas idealizações..na nossa forçassão de barra em algumas leituras comportamentais, na nossa saudade. Não conhecemos o outro. Gostamos do quê? Sentimos falta de quê? Sentimos raiva, ciúmes, irritação do quê?
Somos todos uns autistas.
E já vi que não adianta explicar por A + B os nossos sentimentos, o porquê de algumas atitudes, nunca entendemos uns aos outros. E afinal, sempre há a possibilidade da mentira.
Sempre cheia de perguntas. Mas no final das contas, parece que isso tudo é uma farsa, um analgésico. Estamos sozinhos mesmo.
Ainda bem que eu não sou só minha racionalidade. Sou feliz em acreditar em coisas que não são muito discutíveis, nem muito convincentes. Senão já tinha ido pra Acapulco, tirar férias com o Chaves pra sempre.