Nenhuma pretensão. Mentira. Toda pretensão. Sobre tudo. Mas por enquanto, nem escrevendo eu estou.
sexta-feira, abril 18, 2008,4:21 PM
Ron Mueck - In bed


Ia colocar um link, mas é melhor procurar direto no Google pelo diretório de imagens.
Vale a pena. Impressiona. E tem escultura que pode escandalizar os corações mais sensíveis.
 
Por Renata O. | 0 Não clique aqui.
,4:05 PM
Lyric
He's a real nowhere man,
Sitting in his nowhere land,
Making all his nowhere plans
for nobody.

Doesn't have a point of view,
Knows not where he's going to,
Isn't he a bit like you and me?

Nowhere man, please listen,
You don't know what you're missing,
Nowhere man, the world is at your command.

He's as blind as he can be,
Just sees what he wants to see,
Nowhere man can you see me at all?

Nowhere man, don't worry,
Take your time, don't hurry,
Leave it all 'till somebody else
Lends you a hand.

Doesn't have a point of view,
Knows not where he's going to,
Isn't he a bit like you and me?

Nowhere man, please listen,
You don't know what you're missing,
Nowhere man, the world is at your command.

He's a real nowhere man,
Sitting in his nowhere land,
Making all his nowhere plans
For nobody.
Making all his nowhere plans
for nobody.
Making all his nowhere plans
For nobody.

The Beatles, Nowhere man. Veeery nice. E pensar que Help é a mais famosa...
Whatever.
 
Por Renata O. | 0 Não clique aqui.
terça-feira, abril 15, 2008,7:36 PM
Se não fosse trágico, seria cômico.
Se te queres matar, por que não te queres matar?
Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida,
Se ousasse matar-me, também me mataria...
Ah, se ousares, ousa!
De que te serve o quadro sucessivo das imagens externas
A que chamamos o mundo?
A cinematografia das horas representadas
Por atores de convenções e poses determinadas,
O circo policromo do nosso dinamismo sem fím?
De que te serve o teu mundo interior que desconheces?
Talvez, matando-te, o conheças finalmente...
Talvez, acabando, comeces...
E, de qualquer forma, se te cansa seres,
Ah, cansa-te nobremente,
E não cantes, como eu, a vida por bebedeira,
Não saúdes como eu a morte em literatura!

Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti.
Talvez seja pior para outros existires que matares-te...
Talvez peses mais durando, que deixando de durar...

A mágoa dos outros?... Tens remorso adiantado
De que te chorem?
Descansa: pouco te chorarão...
O impulso vital apaga as lágrimas pouco a pouco,
Quando não são de coisas nossas,
Quando são do que acontece aos outros, sobretudo a morte,
Porque é coisa depois da qual nada acontece aos outros...

Primeiro é a angústia, a surpresa da vinda
Do mistério e da falta da tua vida falada...
Depois o horror do caixão visível e material,
E os homens de preto que exercem a profissão de estar ali.
Depois a família a velar, inconsolável e contando anedotas,
Lamentando a pena de teres morrido,
E tu mera causa ocasional daquela carpidação,
Tu verdadeiramente morto, muito mais morto que calculas...
Muito mais morto aqui que calculas,
Mesmo que estejas muito mais vivo além...
Depois a trágica retirada para o jazigo ou a cova,
E depois o princípio da morte da tua memória.
Há primeiro em todos um alívio
Da tragédia um pouco maçadora de teres morrido...
Depois a conversa aligeira-se quotidianamente,
E a vida de todos os dias retoma o seu dia...

Depois, lentamente esqueceste.
Só és lembrado em duas datas, aniversariamente:
Quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste.
Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada.
Duas vezes no ano pensam em ti.
Duas vezes no ano suspiram por ti os que te amaram,
E uma ou outra vez suspiram se por acaso se fala em ti.

Encara-te a frio, e encara a frio o que somos...
Se queres matar-te, mata-te...
Não tenhas escrúpulos morais, receios de inteligência! ...
Que escrúpulos ou receios tem a mecânica da vida?

Que escrúpulos químicos tem o impulso que gera
As seivas, e a circulação do sangue, e o amor?

Que memória dos outros tem o ritmo alegre da vida?
Ah, pobre vaidade de carne e osso chamada homem.
Não vês que não tens importância absolutamente nenhuma?

És importante para ti, porque é a ti que te sentes.
És tudo para ti, porque para ti és o universo,
E o próprio universo e os outros
Satélites da tua subjetividade objetiva.
És importante para ti porque só tu és importante para ti.
E se és assim, ó mito, não serão os outros assim?

Tens, como Hamlet, o pavor do desconhecido?
Mas o que é conhecido? O que é que tu conheces,
Para que chames desconhecido a qualquer coisa em especial?

Tens, como Falstaff, o amor gorduroso da vida?
Se assim a amas materialmente, ama-a ainda mais materialmente,
Torna-te parte carnal da terra e das coisas!
Dispersa-te, sistema físico-químico
De células noturnamente conscientes
Pela noturna consciência da inconsciência dos corpos,
Pelo grande cobertor não-cobrindo-nada das aparências,
Pela relva e a erva da proliferação dos seres,
Pela névoa atômica das coisas,
Pelas paredes turbihonantes
Do vácuo dinâmico do mundo...

Álvaro de Campos, Se te Queres


É um exagerado mesmo..mas um exagerado brilhante.

Para ler ouvindo Give me one Reason, Tracy Chapman. Mas não precisa, é só uma sugestão.

 
Por Renata O. | 0 Não clique aqui.
domingo, abril 13, 2008,6:28 PM
Plágio da citação

"Quando chega abril eu me calo. Não é luto. Não é que eu queira. Simplesmente me calo. Com abril acaba o calor e começa o meu pequeno inferno particular. Quando vem maio, me calo ainda mais. Quase muda. A solidão que não passa. Quase passa. As noites começando mais cedo e uma vontade que beira o incontrolável de fechar os olhos e ser levada pela mão, levada até algum lugar, nem que seja até a cama quando durmo no sofá ou quando fico presa sem conseguir dormir, acordada sem fazer nada, fazendo nada no automático até a exaustão, até os ombros endurecerem, até eu endurecer inteira junto com o ar que também fica espesso. Foi em abril daquele ano que comecei a acreditar; em maio descobri que era mentira. Aprendi que não existem certezas - e desaprendi com o tempo para sobreviver. Em abril as unhas descascam, os pés acordam gelados e as olheiras não se vão. Uma pausa. Alguns delírios. A falta do que sempre esteve lá. uma mistura de saudade, desesperança, resignação e o peso do tempo passando e cada momento escorrendo pelo dedos sem piedade. Só mais um capítulo do que já passou e do que está por vir. Todos os anos vêm as bodas de tristessa sem motivo para festejar, mais um item para a pilha de repetições. Agora me calo com os olhos baixos; é melhor ficar em silêncio quando não há nada a dizer.”

(Clara Averbuck)

Roubei a citação do Kazuo.
Ando sem tempo, sem inpiração, sem vontade de escrever. Isso já faz um ano, ou mais..não faz diferença o que eu escrevo aqui. Não faz diferença o que eu penso, não em um blog. Enfim..vale ler e pensar vc mesmo.
Quem sabe, um dia, eu esteja sem estrese, sem gosmela na cabeça e com bastante tempo. Então quem sabe eu mesma volte.


 
Por Renata O. | 1 Não clique aqui.